“Criança não quer estudar. Quer aprender, ler o mundo, ler a vidaâ€

Foi nesse tom a conversa que um grupo de cerca de 50 pessoas assistiu na Livraria da Vila agora pela manhã. A protagonista? Escritora Tatiana Belinky! Qualquer conversa com ela por mais de 15 minutos, a sensação é a mesma: mas parece a EmÃlia falando! Tatiana adoraria este comentário. Como ela mesma disse neste vÃdeo para mim: “Eu SOU a EmÃliaâ€, adora repetir.

Estávamos na terceira edição da Balada Literária, evento sobre literatura promovido no bairro paulistano da Vila Madalena e idealizado pelo escritor Marcelino Freire. Tatiana foi a homenageada deste ano e abertura do evento tomou um ar delicioso de literatura infantil.
A atriz Ana Luisa Lacombe, famosa contadora de histórias, fez uma divertida performance com base em dois livros de Tatiana: O Grande Rabanete e Dez Sacizinhos.
Depois, o papo aconteceu entre ela e os escritores Eva Furnari, Luis Braz e Ãndigo e o historiador Vladimir Sachetta, um especialista em Monteiro Lobato. Foi ele, inclusive, que puxou as memórias de Tatiana sobre sua amizade com o autor do SÃtio do Picapau Amarelo.
Enfim, uma bela festa, um encontro delicioso sobre o escrever e sobre autores e ilustradores que brincam criando leituras para as crianças. E, claro, para vermos o quanto esta brincadeira é séria!
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Sempre tive muita curiosidade sobre o que se produz para crianças em Portugal e sobre como é a venda, acesso e tudo o mais sobre livros infantis.
Pois, por causa do Ler Pra Crescer, fiz uma amiga em Portugal. E uma amiga apaixonada por livros infantis, assim como eu.

Rita Pimenta também tem um blog, o Letra Pequena. Ela também é jornalista.
O blog é lindo, valem visitas sempre, mesmo que os autores que ela por ventura mencione não existam em nossas livrarias. Pois, os sentimentos são os mesmos.
Veja que lindo que li lá hoje:
“Diz a ilustradora Květa Pacovská (natural de Praga) que o livro ilustrado é a primeira galeria de arte que uma criança visita. Está bem pensado e melhor dito.
Depois de se proporcionar aos miúdos o contacto com muitas “galerias de arte†desse tipo, podemos ir abrindo caminho à fruição e conhecimento de artistas e quadros famosos.â€
Ela se refere a um livro em especÃfico, mas nós temos tantos maravilhosos que sempre cito aqui.
Tanta arte em nossas produções brasileiras. Traços tão diferentes:
De Ziraldo a Fernando Vilela,
De Elma a Odilon Moraes,
De Mariana Massarani a André Neves,
De Graça Lima a Roger Mello…
Isso sem contar a sorte de termos tantas traduções que nos trazem perto Stephen Michael King (ah, guardo umas surpresas em relação a ele aqui para dezembro!!).
Enfim, um blog muito inspirador, inspirador como são estas ilustrações em nossas leituras e das crianças. Aproveitem muito! Conversem com as crianças sobre os detalhes, releiam, revejam, reinventem!
Criança tem tantos medos, não? De escuro, de ficar sozinha, de monstro debaixo da cama, de bruxa, de lobo mau… E adulto, tem tanto medo, não? De não agradar a todos, de ficar sem dinheiro, de morrer… E sabe o que nos ajuda a lidar com nossos medos? Literatura! Na boa literatura nós podemos “conversar†com nossos medos, aqueles que são os mesmos desde o inÃcio da humanidade: é natural.
Por isso que hoje a trinca é de livros que falam sobre isso com as crianças (e os adultos, vai saber!).
 
O primeirão da lista, claro, é a coleção que nunca perde o tom da querida Ruth Rocha. É uma espécie de coleção, lançada pela Global Editora e ilustrada pela Mariana Massarani: há Quem Tem Medo de Quê? (fala de trovão, escuro, pegar piolho!), Quem Tem Medo de Cachorro?, Quem Tem Medo de Monstro?, Quem Tem Medo de Dizer Não? (ei, esta é boa para nós!!), Quem Tem Medo do RidÃculo?, e o mais recente, Quem Tem Medo do Novo?, que trata do assunto mudança com as crianças. Delicadeza pura que funciona bem para crianças a partir de 3 ou 4 anos.


Já experimentou poesia em voz alta hoje? Há muitos livros para crianças cheios de poema para divertir e emocionar. Os temas são muitos: animais, cotidiano, emoções… Mas o bacana mesmo é a brincadeira com as palavras. O que vale é a diversão.

Este é o sentimento nas apresentações de Paulo Netho, também autor de O Pinto Pelado no Reino dos Trava-LÃnguas, e o músico Salatiel Silva, autor de Ciranda das Cantigas, criadores do Balaio de Dois. De São Paulo, eles correm por muitas cidades brasileiras e deixam crianças e adultos completamente entregues à brincadeira.
Experimente o passeio com eles neste vÃdeo do YouTube e vejam que delÃcia no que se transforma O Grilo Grilado, do poeta mineiro Elias José.
Saiba mais nos blogs Balaio de Dois e Cara de Pavio. E procurem outros vÃdeos!
“Ziraldo, eu queria fazer uma pergunta. O Menino Maluquinho… ele existe?â€. Estava aqui pensando se eu conseguiria reproduzir a beleza da pergunta e a emoção que senti ao ouvir esta pergunta feita por um menino de cerca de 5 ou 6 anos, sábado passado, em um encontro bem especial na Livraria Cultura, que reuniu os escritores Ziraldo, Ruth Rocha e Pedro Bandeira.
O criador do menino que usa uma lata na cabeça, claro, respondeu na hora: “Sim, esse menino é você, sou eu, é todo menino feliz, amado pelos pais, que brinca, que pergunta…â€.
Percebem que aquela era uma grande, mas uma grande questão mesmo? A gente acredita na “realeza†dos personagens que lemos e, claro, as crianças também. É por isso também que a fantasia é tão importante, tão necessária. E não é para o leitor esquecer as ‘coisas ruins da vida’. É para vivenciar tudo de uma forma diferente, saber que pode ser um e outro; tomar decisões, que tem vários caminhos. Falar do que muitas vezes a gente não encontra palavras para falar com eles.
E, por isso que, personagens assim como o Menino Maluquinho – nascido há 28 anos -, duram muito, mas muito tempo mesmo.
A chegada do irmãozinho é tema para muita conversa em casa. Livros, como sempre, ajudam demais! E, como faz toda boa literatura, pode emocionar a famÃlia inteira!
Divirtam-se com estas dicas.

A primeira é o adorável macaquinho de Chega de Beijos (Ed. Salamandra), de Emma Chichester Clark. Momo se irrita com tanta beijação em cima do irmão e se irrita com atenção dada ao bebê mais novo. Só que, quando os dois ficam sozinhos… ele não resiste e um beijo surge! Os pequenos adoram!

Outro que os pequenos adoram, é A Irmãzinha de Lisa (Ed. Cosac Naify), de Anne Guttman e Georg Hallenslebn. Fala bem do ciúme que a criança tem da mãe que, por causa do barrigão, não podem nem mais brincar tanto como antes. Mas a paixão pela irmã acontece depois, claro.

O terceiro também é ótimo! E a diferença é que ele não tem imagens, o que dá duas possibilidades a mais: o adulto pode contar da maneira que for mais bacana para a criança entender e a criança também vai entender do jeito que for necessário. Ele se chama E Agora? Vão Tomar o Meu Lugar? (Ed. Salamandra), de Alcy e Bel Linares, uma dupla que tem outros livros de imagens também. As ilustrações são bem diretas e simples para a criança se identificar com aquele dia-a-dia.Â
Bom final de semana!
Um dos meus papéis principais aqui é ajudar você que chega a uma livraria e não consegue dar conta nem de olhar tudo o que tem de novidades para criança – quanto mais conseguir escolher.
Vivo aqui dando idéias e sugestões para esta tarefa ficar um pouco mais fácil – e, claro, sempre lembrando que é atividade prazerosa, uma vez que temos dezenas de tÃtulos muito bacanas todos os meses.

(esta foto é do blog dele, o http://confabulandoimagens.blogspot.com/)
Conversei sobre isso com o ilustrador André Neves (indicado duas vezes para o Prêmio Jabuti deste ano), que tem uma produção intensa tanto como ilustrador quanto como escritor. Veja o que ele pensa a respeito e as dicas que ele dá a você. Sim, livros com o traço merecem sempre uma bela olhada, viu?
Ler Pra Crescer: Nós conversamos há pouco tempo sobre a produção em massa de livros infantis. Conheço uns 50 livros novos a cada mês e sempre fico no dilema: esta farta produção é boa ou não? O que você acha?
André Neves: Acho válido sim, embora as boas produções ainda não se sobrepõem a quantidade de lançamentos sem comprometimento literário. Penso muito sobre o assunto porque faz parte do meu trabalho. Muitas editoras fazem livro com prescrição, correndo muito para alcançar uma tendência de mercado diante daquilo que pode ser vendido. Então, é preciso estar atento para fazer boas escolhas.
LPC: Para você, qual deveria ser o primeiro “cuidado” na hora de comprar ou escolher um livro para uma criança?
André: Quando compro um livro olho o objeto. É estranho mas, sinto prazer em pegá-lo, acariciá-lo. Sei que ali dentro existe algo guardado para mim. Isso se dá no primeiro toque, no primeiro olhar. Relaxo e folheio, porque as qualidades do texto e da imagem possivelmente estão equilibradas nas boas produções. Depois, com essa constatação, levo pra casa. Mas, o mercado cresce desordenadamente. Como maior parte desses livros é conduzida aos pequenos leitores por mediadores de leituras, sejam pais ou professores, penso que o primeiro passo é se familiarizar com essa produção e redescobri-la com prazer. Deixar ela tocar a nossa infância.
Assim, podemos compreender um pouco de custo e beneficio diante um livro.
Outro ponto forte pode ser o nome de alguns autores, porque são eles que têm como missão sagrada fazer boa literatura diante dos que pensam no livro como produto.
LPC: No que a ilustração pode influenciar numa história ou na escolha de um livro?
André: A imagem no livro para infância passa a ter um sentido em nossas vidas quando integramos seu conteúdo tão necessário quanto à leitura das palavras. Temos que aprender a olhar, desfrutar e seduzir, porque quando somos conquistados pela imagem, a sedução vira um jogo mútuo e o livro passa a ser reflexo. Vemos nele nossos anseios, nossos sonhos e assim, partimos para imaginação.
Feliz Dia Das Bruxas! Feliz Dia do Saci! Bom, importando estes dias ou não, acho que 31 de Outubro pode ser uma celebração ao imaginário, que tal?
Bem, escolhi três bruxas queridas aqui para vocês.
 
A primeira é nossa adorada Bruxinha Atrapalhada (Ed. Global), de Eva Furnari, que, em histórias sem texto divertem demais os leitores. DifÃcil saber se a varinha dela ajuda ou atrapalha…

A segunda é Creuza, uma bruxa muito diferente que aparece em dois livros de Silvana Tavano (e ilustrações de Graça Lima), ambos pela Companhia das Letrinhas. Ela sempre pensa (ou faz) uma coisa que você não espera.

A terceira é uma bruxa que é convidada para uma festa. Em Bruxa, Bruxa, Venha à Minha Festa, de Arden Druce e ilustrações de Pat Ludlow, pela Brinque-Book, é um texto do tipo cumulativo que vai ganhando força a cada frase e mexe com a curiosidade da criança.
Bem, o Saci, claro, é o de Monteiro Lobato. Foi o grande autor de livros para crianças que introduziu o personagem à literatura. Personagem que adora andar pelo SÃtio do Picapau Amarelo.
Divirtam-se!
Quando anuncio algo aqui ou conto uma história, o objetivo é um só: inspirar. Pode ser um ato em livraria, um projeto em uma escola, uma experiência de pais em casa.
Aqui em São Paulo há várias livrarias dedicadas ao público infantil que já mencionei aqui e fazem trabalhos muito criativos. Uma delas, a Casa de Livros, tem um projeto parceria com escolas chamado Projeto Vitrine. A casa é localizada em uma bela esquina da região de Santo Amaro e permite que a vitrine seja bem vista por quem passa do lado de fora. O vidro-janela se transforma em obra de arte: as crianças que participam fazem ali um trabalho que represente um determinado livro e vivem uma experiência diferente de leitura.

Nesta foto do site deles, atividade em companhia da escritora Lia Zatz.

Nesta outra, o saudoso poeta Elias José.
Sábado próximo, dia 1, será a vez do escritor e contador de histórias Ilan Brenman. As crianças do Colégio Humboldt vão trabalhar (ops, brincar!) com ele com base no livro Gabriel, da Editora Brinque-Book.
A brincadeira acontece das 10h à s 12h e terá também a presença da ilustradora Silvana Rando, que traçou tanto Gabriel quanto Clara, o primeiro livro desta adorável famÃlia.
Projeto Vitrine – Livraria Casa de Livros
Com Ilan Brenman e o livro Gabriel
Sábado, dia 1 de novembro, das 10h às 12h
Rua Capitão Otávio Machado, 259, Chácara Santo Antonio - São Paulo, SP
Fone (11) 5182 4227
Mais informações www.casadelivros.com.br
Dias atrás, recebi um email assim:
“Oi, Cristiane,
Você já conhece esse livro que dá tÃtulo à mensagem? Não! E a mim também não, não é mesmo? Então se você tiver interesse em conhecer esse bichinho tão fofo - o rinoceronte, claro - envie-me o endereço para onde devo remetê-lo - o livro, pois rinocerontes não são aceitos na ECT (já tentei, mas excede o peso) e nunca cabem na caixinha, nem dobrado, nem enrolado. E o maior problema é o rabo, sempre fica para foraâ€.

Morri de rir e vi que era o escritor Hermes Bernardi Jr, um nascido no Rio Grande do Sul que, além de escritor, passeia o paÃs em projetos com histórias e leituras. Está tudo no blog dele, o http://tercaeucontopravoce.blogspot.com
O tal “Rino†veio em companhia de outro livro. Bela surpresa: descobri em Hermes um homem apaixonado por caixas (feito aquele pai, da amorosa história do australiano Stephen Michael King, O Homem Que Amava Caixas).
Em Planeta Caiqueira (Editoria Projeto), deliciosamente ilustrado por André Neves, uma criatura feia e adorável guarda frases em uma caixa.
Em E O Rinoceronte Dobrado (Editoria Projeto), o autor – e o ilustrador, Guto Lins! – nos conta o que guardaria em uma caixa de sapatos muito especial.
Hermes achou que eu não o conhecia. Na loucura que estava aqui no dia que recebi o email, quase concordei com ele. Mas, quando parei para pensar melhor, descobri que me encantei pelo autor no lançamento de Casa Botão, editado pela DCL. Um livro belÃssimo, cheio de poesia a partir de um botão que não tinha par.
Este autor reviveu em mim pensamentos que sempre me rodeiam: ler livros destinados a crianças é ver claramente a liberdade de um escritor. Mesmo diante de um dos públicos mais exigentes, ele se sente livre não para “ser criança novamenteâ€: mas para soltar a poesia e sorrir com as palavras.
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Vocês não notam isso?
